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110 anos do “Titanic Brasileiro”: naufrágio do Príncipe de Astúrias marca a história de Ilhabela

Publicada em: 05/03/2026 18:42 -

Tragédia do transatlântico Príncipe de Astúrias completa 110 anos em Ilhabela. Naufrágio é considerado um dos maiores desastres marítimos do Brasil.


110 anos do “Titanic Brasileiro”: naufrágio do Príncipe de Astúrias marcou a história de Ilhabela

Nesta quinta-feira (5) completam-se 110 anos do naufrágio do transatlântico Príncipe de Astúrias, uma das maiores tragédias marítimas já registradas no Brasil. O acidente ocorreu na madrugada de 5 de março de 1916, nas proximidades de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, e ficou conhecido ao longo do tempo como o “Titanic Brasileiro”.

O episódio marcou profundamente a história da navegação no país e permanece como um dos acontecimentos mais dramáticos ligados ao litoral paulista.


Um dos navios mais modernos de sua época

O Príncipe de Astúrias era um luxuoso transatlântico espanhol, construído para realizar viagens entre Barcelona, na Espanha, e Buenos Aires, na Argentina, transportando passageiros e cargas entre a Europa e a América do Sul.

Considerado moderno para os padrões da época, o navio integrava a frota da companhia espanhola Pinillos Izquierdo y Compañía e realizava sua sexta viagem ao continente sul-americano quando ocorreu o acidente.

A embarcação seguia em direção ao porto de Santos quando encontrou forte tempestade, chuva intensa e visibilidade reduzida ao se aproximar do litoral norte paulista.


Impacto fatal na costa de Ilhabela

Durante a madrugada de 5 de março de 1916, o transatlântico colidiu violentamente com uma laje submersa na Ponta da Pirabura, área conhecida por formações rochosas perigosas na costa de Ilhabela.

O impacto foi devastador.

Em poucos minutos, a estrutura do navio foi comprometida e a embarcação afundou rapidamente, sem tempo suficiente para uma evacuação organizada.


Número de vítimas pode ter sido maior

Registros oficiais da época apontam que 445 pessoas morreram no naufrágio, enquanto 143 sobreviveram.

Entretanto, estudos e relatos históricos indicam que o número real de vítimas pode ter sido ainda maior. Pesquisadores apontam que passageiros clandestinos poderiam estar acomodados nos porões, o que elevaria o total de mortos para mais de mil pessoas, segundo algumas estimativas.

Essa possibilidade reforça a dimensão do desastre, frequentemente comparado a grandes tragédias marítimas da história.


Mistérios e teorias sobre o naufrágio

Ao longo das décadas, o naufrágio também passou a ser cercado por relatos e teorias históricas.

Uma das versões mais conhecidas sugere que o navio teria feito uma parada nas proximidades da Ilha dos Búzios, onde parte de uma suposta carga de ouro teria sido transferida para outra embarcação.

Essa hipótese levantou suspeitas de que o naufrágio poderia ter sido provocado ou relacionado a interesses comerciais da época. No entanto, não existem provas que confirmem essa teoria, e ela permanece apenas como parte das narrativas que cercam a tragédia.


Ilhabela e a história dos naufrágios

A história do Príncipe de Astúrias pode ser conhecida no Museu Náutico de Ilhabela, localizado no Centro Histórico da cidade.

O espaço reúne:

  • objetos resgatados do fundo do mar

  • documentos históricos

  • modelos de embarcações

  • registros de naufrágios da região

Instalado no prédio que abrigou a antiga Cadeia e Fórum de Ilhabela, o museu ajuda a preservar a memória marítima do arquipélago.

O local funciona normalmente das 9h às 20h, na Praça Coronel Julião, na Vila, com entrada gratuita. Excepcionalmente neste período, o atendimento ocorre das 9h às 18h.


Preservar a memória marítima

Para o prefeito Toninho Colucci, manter viva a história do naufrágio é uma forma de valorizar o patrimônio histórico da cidade.

“O naufrágio do Príncipe de Astúrias faz parte da história de Ilhabela e da própria história da navegação no Brasil. Preservar essa memória é uma forma de respeitar as vítimas e valorizar nosso patrimônio histórico.”

Ilhabela possui dezenas de naufrágios registrados em suas águas, tornando a região um importante ponto de interesse histórico e também turístico para mergulhadores e pesquisadores.

Segundo a administração municipal, o Museu Náutico desempenha papel fundamental na preservação desse passado, reunindo peças, relatos e documentos que ajudam a compreender a relação histórica do arquipélago com o mar.

Fonte: Prefeitura de ILhabela/SP

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